Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Novo Blog

Começar de novo... AQUI, com A Música Mágica

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Agora estou por aqui


Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Agradecimentos, Marcelo Caetano e José Sócrates. Até sempre!

Não posso deixar de voltar aqui para agradecer as muitas mensagens, twitts, e-mails e comentários à minha auto-suspensão da blogosfera. Surpreenderam-me, até, as mensagens de alguns que discordando de muito do que por aqui fui escrevendo, me enviaram agora palavras de incentivo. Sinal de que, apesar de contundente e frontal, não fui preconceituoso em relação a ninguém nos meus posts. Muito menos, desrespeitoso. Pelo menos, assim tentei. E não posso deixar de sentir que saio da blogosfera com a dignidade de poder dar a cara por aquilo que escrevi e que sou. A cara, mesmo, como fiz no meu último post. E sublinho este detalhe não por haver muito quem comente na blogosfera sem conseguir sequer assinar o seu nome por baixo, pois aceito que isso faça parte deste espaço virtual, mas por me ter hoje ocorrido, ao ouvir uma notícia, um pormenor histórico relevante. A 25 de Abril de 1974, Marcelo Caetano foi deposto no Quartel do Carmo. Salgueiro Maia propôs-lhe uma saída discreta, através de um buraco feito nas traseiras, para que o povo, que gritava liberdade na porta da frente, o não linchasse. A resposta do ditador não deixou, contudo, de ser surpreendente e mostrar que, apesar de tantos pecados cometidos, ainda havia no seu interior um homem. Num rasgo de dignidade, disse a Salgueiro Maia: "Não! Só saio daqui pela porta por onde entrei. A porta da frente". Assim se cumpriu esse seu último desejo como Primeiro-Ministro. Escoltado pelos próprios revolucionários e dentro de um chaimite, o ditador saiu pela porta da frente do Quartel do Carmo. Desculpem-me se hoje não consigo esquecer este episódio que ficou entalado na história da revolução que nos trouxe a liberdade, ao mesmo tempo que oiço e leio notícias de que José Sócrates saiu à socapa de uma escola, pela porta do cavalo, para não ter que ouvir aquilo a que tenho chamado de "legítimas idiossincrasias de um povo", neste caso, dos estudantes.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Tempo de parar... mas não de desistir


Este blog nasceu há pouco mais de seis meses. Começou por ser o “herdeiro” do blog oficial do livro A VARINHA MÁGICA DE VALENTIM LOUREIRO, que lancei em Outubro do ano passado, para se tornar numa extensão de muitos outros sentimentos que tenho em relação à vida política nacional. A sensação que tenho é que nada ou quase nada funciona em Portugal. Os serviços públicos e privados funcionam quase sempre numa lógica nada orientada para o cidadão ou para o cliente. É tudo lento e tudo constitui um problema aparentemente inultrapassável. A cada passo que damos no sentido do progresso e da criação de riqueza deparamo-nos com inúmeros absurdos e ilógicos entraves que não servem a ninguém ou que, pelo contrário, servem apenas para alimentar o pequeno ou o grande poder de uns mesmos. Poder, esse sim, bem organizado e equilibrado numa tentacular estrutura piramidal. O povo (não tenho receio do termo) divide-se entre os que se conformam com tudo; os que se procuram encostar aos pequenos e grandes poderes e alinham clubisticamente em cores ou corporações a ponto de cegarem; e os que ainda não se resignaram a nenhum destes destinos e frequentemente têm vontade de fugir daqui. Incluo-me nestes últimos. Mas somos cada vez menos. A maioria conforma-se. E a maioria da maioria, mantém a aspiração de transferir-se do primeiro para o segundo grupo. Deixar a indiferencia e passar a fazer parte da máquina de que se dizia mal no café, às escondidas, é a aspiração nacional. E quantos mais se vão passando de um lado para o outro, mais mesquinho e amorfo se vai tornando o país, esvaziado de esperança e de genuíno povo, cada vez mais condenado ao fracasso e ao egoísmo. Quantos mais pequenos poderes vão sendo traficados, maior é o poder de quem realmente comanda a cadeia do poder. E assim se organiza um país corporativo e parcialmente anestesiado… estéril, como o nosso. Estéril de produção e estéril de valores. E se ainda resta por aí algum desses valores esquecidos, entalados num ou noutro escrito ou consciência, haverá quem logo o queira reinventar, reinterpretar e, finalmente, impor com novos cânones e adaptados conceitos, sejam sobre a vida humana ou sobre a simples deontologia profissional. Chamam-lhes, depois, à vezes, “causas fracturantes”, impostas por minorias que se transformam em ditaduras de novos costumes. Sinais de intelectualidade. Mas que não passam, muitas vezes, de receitas de modernidade enlatada e importada. Ajusta-se, assim, o mundo e a consciência de todos, aos desejos convenientes de uns poucos.
Eu já disse e quero reafirmá-lo: estou no grupo dos que não foram nem vão nisto. Estou no grupo dos que perigosamente já não se identificam com nada disto. Escrevendo num blog, num livro ou trabalhando e procurando cumprir e seguir valores e ética, tanto quanto consigo e sei interpretá-los, continuarei a ser português à minha maneira, votando, indignando-me e revoltando-me no dia-a-dia. Ainda que esteja numa minoria. Mas continuarei também - e sobretudo - a fazer um esforço de brio (e como se perdeu este termo), para que funcione bem o que for fazendo. O elogio sobre se consigo transformar esta vontade em competência não me cabe. Caberá àqueles a quem sirvo ou a quem tenho servido.
Numa altura em que assumo novos desafios profissionais que me absorvem por completo e me colocam novas responsabilidades, também éticas e deontológicas, interrompo contudo esta minha intervenção blogosférica. Pelo menos neste formato e com estas características. Pelo menos, para já. Muitos dirão que nada impedia a continuação da minha intervenção cívica neste espaço. Mas eu entendo (pelos vistos) a vida de forma diferente de muitos outros. Erro, como todos, mas não mantenho o princípio de que todos os meios são válidos para todos os fins. Despeço-me, por isso, deste espaço e nesta forma, pelo menos por uns tempos o que não significa que não continue a lutar, de outras formas, com frontalidade, dureza e, muitas vezes, zangado. É que, de facto, é tempo para estarmos zangados. Muito zangados, aliás. Eu estou.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

"Salvaremos todas as que pudermos..." II

Já este ano, com a crise internacional instalada, eram estas as palavras de Sócrates. Oiçam bem, porque faz bem à democracia, sabermos que há cinco meses o Primeiro-Ministro achava que Portugal iria crescer 3% este ano, que o desemprego diminuiria, que o défice seria cumprido e teimava que "salvaria todas as empresas que pudesse". Tinha acabado de "salvar" a Qimonda, o BPN, as Pirites Alentejanas e a Indústria Automóvel a quem ofereceu mil milhões de euros (2.222,00 euros por cada desempregado que existe em Portugal). Mesmo "avisado" por Ricardo Costa que chega a afirmar que as previsões do Primeiro-Ministro estavam a ser "mesmo muito optimistas", Sócrates insistia que Portugal cresceria 3% este ano! Sim, eu disse CRESCERIA 3% ESTE ANO.

O insuportável Freeport

A notícia de que o Procurador-geral da República deu ordens para que a coordenação internacional do caso Freeport não passasse pelo Eurojust é insuportável. Para Lopes da Mota, para o julgamento que o PGR já hoje faz da sua conduta e para os que acham que deve continuar no cargo e presumir-se, para já, que nada aconteceu de anormal. E é, além do mais, uma declaração de inutilidade a um órgão presidido por um português. Ainda pior é saber-se que o anúncio de Pinto Moteiro se ficou pelo feudo e nem chegou ao Eurojust. Já tenho ouvido falar em "falta de vergonha", "compadrio", "pressão" e "corrupção" neste caso, mas hoje só já me apetece dizer que é insuportável ser português e viver subjugado a um tão elevado nível de incompetência. Um país torna-se insuportável quando já nem o disfarce é bem feito, quando já nada é bem feito. A asneira já chegou a tais níveis que, mesmo que não tenha havido nenhuma corrupção no caso Freeport, já ninguém conseguirá alguma vez acreditar. A propósito deste caso, destruiu-se o que restava da credibilidade da Justiça em Portugal e a cada dia que passa menos solução existe. E a culpa não é nem de bloggers nem de TVIs, é da absoluta incompetência de quem apenas conhece meios ínvios para se defender. Mesmo que Sócrates não seja (ou fosse?) culpado no caso Freeport, a sua conduta e a dos seus discíplos condenaram-mo irremediavelmente perante a opinião pública e condenam o seu tentacular partido. Já ninguém acredita nisto que é Portugal. Tornou-se insuportável ser português.

A felicidade segundo Rui Pereira é a prisão preventiva


É para mim muito, muito estranho ouvir o Ministro da Administração Interna fazer uma crítica implícita à aplicação da Justiça na área criminal. De facto, além de se dever constituir como um dos garantes da aplicação da Justiça enquanto Ministro da Administração Interna, Rui Pereira parece ter-se esquecido completamente ter sido - imediatamente antes de ser nomeado para o Governo - o Presidente da Unidade de Missão para a Reforma Penal. Se um suspeito de crimes é detido pela PSP e pouco depois libertado por um juiz, poucas ou nenhumas pessoas em Portugal se podem sentir mais responsáveis politica e tecnicamente do que o próprio Rui Pereira.
Assim, além de se ter queixado de si próprio, o Ministro revelou ainda uma inconcebível falta de tacto e mesmo respeito, quando usou da palavra na Assembleia da República: "Fico muito, muito feliz quando sei que é aplicada a prisão preventiva a alguém que é suspeito de praticar um crime com armas ou contra as forças de segurança”.
Será que Rui Pereira fica mesmo "muito, muito feliz" ao ver os alegados criminosos (suspeitos, portanto, inocentes até prova em contrário - não é o que dizem?) serem detidos ou ficará apenas, como todos nós, descansado e mais seguro?
E, já agora, por que anda um Ministro a meter-se em decisões judiciais?

E você, é contra a "pobreza" ou a favor da "verdade desportiva"?

Anda por aí alguém – com grande sucesso, diga-se – a promover uma petição “pela verdade desportiva”. Acho muito bem que o faça. Mas a mim, que digo mal de quase tudo, parece-me um bocadinho redundante. É como perguntar às pessoas: “quer assinar aqui num papel a dizer que é contra a pobreza?”. É claro que toda a gente é contra a pobreza. Bem... todos, todos não! Há os que secretamente acham que deve continuar a haver pobres, porque deles se alimentam em esquemas ínvios. Mas esses serão os primeiros a assinar petição, para mostrar o contrário daquilo que são e porque sabem que um papel é apenas um papel e que a pobreza nunca acabará. Ora, com a “verdade desportiva” é um bocadinho a mesma coisa. Haverá alguém a dizer que não quer verdade desportiva? Naaa! Todos assinam que querem, mesmo os que sobrevivem da batota.
Mas o que me leva a escrever hoje esta crónica é precisamente o facto da dita petição não ser, afinal, “pela verdade desportiva”, mas antes - e tão só - pela utilização de meios tecnológicos na arbitragem do futebol. O que é muito menos do que a “verdade desportiva”. Para que fique claro, eu sou favorável a todos os meios tecnológicos que ajudem a arbitrar um jogo de futebol, a aspirar a casa ou a confeccionar o jantar. O que me parece abusivo é considerarmos que a compra de um bom aspirador signifique automaticamente uma casa limpa ou que a aquisição de uma Bimby tornará as nossas refeições num repasto real, sem qualquer esforço. Para se ter uma casa limpa será sempre importante olhar os cantos com cuidado, dobrar as costas para aspirar debaixo das mesas e, sobretudo, ter-se brio profissional. Para termos à mesa uma refeição saborosa, será sempre necessário escolhermos ingredientes de qualidade e saber temperá-los com sensibilidade e bom senso.
Para que haja “verdade desportiva” será preciso tudo o que é necessário para manter a casa limpa e todas as qualidades que impomos a um bom cozinheiro. Mas é também fundamental que haja vontade. Dito de outra forma, a introdução de meios tecnológicos na arbitragem é tão inevitável como a humanidade ter-se rendido ao telemóvel ou ao frigorífico. É apenas uma questão de tempo e de aperfeiçoamento. Já imaginar que isso se converterá automaticamente em verdade desportiva parece-me tão irreal como imaginarmos que o árbitro do Chelsea-Barcelona não viu quatro penalties contra a equipa de Messi na meia-final da Liga dos Campeões.
E para que fique ainda mais claro: eu sou contra a pobreza, mas sou ainda mais contra os que dela se alimentam, mesmo promovendo e assinando petições.

Crónica escrita especialmente para o blog Futebolartte, onde colaboro

Enxovalho cá, enxovalho lá


Acabo de ouvir Manuela Ferreira Leite dizer, a propósito do caso Lopes da Mota, que Portugal está a ser enxovalhado no estrangeiro. Eu acho que não, acho que Portugal está a ser enxovalhado cá dentro, o que é bem pior.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Contrastes

Em todo o lado há compadrio, corrupção e maus polítcos. A diferença é que em Portugal são apreciados e nem quando são descobertos deixam de o ser.

"Presidente do Parlamento britânico apresentou a demissão" in Público online

"(...) O primeiro-ministro Gordon Brown convocou para esta tarde uma conferência de imprensa, depois de ter sido ontem pressionado pelo líder do Partido Conservador, David Cameron, para convocar eleições antecipadas. O Governo não é obrigado a convocar eleições legislativas antes de Junho de 2010, mas Cameron, à frente nas sondagens, sublinhou que as pessoas estão mais preocupadas com uma oportunidade para votar do que com a escolha de um novo presidente da Câmara dos Comuns. “As pessoas querem eleger um novo Parlamento”, disse à BBC. “A sua visão é a de que trocar uma pessoa com um divertido traje preto por outra pessoa com um divertido traje preto não vai fazer diferença”, adiantou Cameron (...)"

Dias Loureiro confia nas instituições, certamente!


Cavaco Silva disse hoje que as instituições devem funcionar por forma "a inspirar a confiança dos cidadãos". E disse-o a propósito do caso Lopes da Mota, embora evitando dar a sua opinião concreta. A pergunta que é urgente fazer ao Presidente da República é quem são nesta altura os cidadãos que ele conhece que sentem confiança nas instituições. Pessoalmente, não conheço ninguém, mas reconheço que o circulo de amigos de Cavaco Silva (Conselho de Estado incluído) é diferente do meu.

Bem escrito

A falta de tempo leva-me a isto. Mais uma citação: Constança Cunha e Só no Correio da Manhã.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

O Carlos Vidal lançou os foguetes e eu apanho as "Canas"

Não resisto a colocar aqui este Link para o post do Carlos Vidal, do 5DIAS.

Estamos na época do "quero lá saber"

Por mais do que uma vez aqui escrevi acerca do possível desfecho do inquérito que decorreu às pressões aos magistrados do caso Freeport. E escrevi que havia três resultados possíveis, sendo um deles este que agora se conhece. Dizia ainda que nenhum resultado era bom. No caso de ficar apurado que há mesmo fortes indícios de pressão (como é o caso), escrevi nesses post que não haveria outra saída senão a demissão, pelo menos, do Ministro da Justiça. Longe estava de imaginar que a falta de vergonha na cara fizesse com que nem Lopes da Mota se demitisse e que o PS nem sequer aceitasse discutir o assunto no Parlamento. Houve tempo em que em Portugal era moda a demissão, transitando os demitidos para carreiras não políticas mas igualmente "interessantes". Agora, já nem esse pudor existe. Estamos na era do "quero lá saber", onde já nem sequer existe a velha arte do disfarce. Ainda havemos de ver alguém afirmar na televisão: "sou corrupto, e depois?". E nada poderemos fazer. Como agora.

"Salvaremos todas as empresas que pudermos"

A frase pertence a José Sócrates e é expoente máximo do populismo e da demagogia. Claro que salvaremos todas as que pudermos. Sejam elas uma ou nenhuma, desde que sejam as que pudermos, a frase está certa, é verdadeira e calha bem. A questão, contudo, é outra. Atirar com milhões para fogueiras a arder é a melhor solução? Que Sócrates, enquanto Primeiro-Ministro deverá pensar em salvar "todas as que puder", não me parece mal, mas a política é a arte da escolha e também da responsabilização, e o que importa é saber se as escolhas deste Governo foram correctas. Vejamos quais foram as empresas que Sócrates "pôde", ou melhor, "escolheu" salvar.

Qimonda: o processo de recuperação da Qimonda foi apresentado mais de dez vezes, com o Primeiro-Ministro e o Ministro da Economia a orgulharem-se de terem salvo a empresa. Chegaram a apontá-la como o exemplo do que deveria ser feito cerca de um mês antes de abrir falência. A Caixa Geral de Depósitos emprestou milhões de euros à Qimonda, tendo as verbas sido transferidas para a Alemanha e desaparecido. A Qimonda está fechada, mais de mil trabalhadores qualificados estão à beira do desemprego. Desapareceu o maior exportador português.

Pirites Alentejanas. Seis meses depois do Governo ter anunciado com pompa que tinha salvado as minas, através de um contrato com uma empresa estrangeira, as minas fecharam. O Governo "salvou" pela segunda vez a empresa, dando benefícios fiscais a um grupo nacional e oferecendo-lhe a exploração de outras minas, sem custos. Apesar da produção dever estar já em laboração, a única coisa que aconteceu foi a venda da maquinaria que lá se encontrava. Os funcionários da empresa continuam sem trabalho e as minas estão fechadas. Não se sabe o que vai acontecer.

BPN: O Banco foi nacionalizado "para garantir os depósitos do portugueses" e para "devido ao perigo sistémico e ao rating da Nação". Um pouco mais de meio ano depois, já se gastaram mais de dois mil milhões de euros no BPN. O Banco perdeu os seus clientes, o rating da Nação baixou, não se sabe quanto mais dinheiro vai ser necessário para "tapar" os buracos do BPN. A marca BPN não vale qualquer dinheiro neste momento e a nacionalização não apenas colocou problemas novos à Caixa Geral de Depósitos como descapitalizou o banco público. O mesmo princípio não foi usado para o BPP, em situação semelhante. Há depositantes desesperados por não conseguirem reaver os seus depósitos.

Indústria Automóvel. O Governo correu a injectar mais de mil milhões de euros na indústria automóvel, sem que alguma vez explicasse porquê naquele sector. Dois ou três meses depois do anúncio, Citroen, Peugeot e Renault começam a dispensar funcionários e ameaçam fechar as suas fábricas em Portugal. A Autoeuropa dispensa sub-contratados, pára produção e agora pondera o futuro.

Pequenas e micro-empresas. O Governo apresenta constantemente linhas de créditos para as PME, mas a verdade é que estas se queixam da dificuldade de obter empréstimos e dos juros elevados. A maioria das empresas não cumpre os requisitos estabelecidos pelo Governo. Basta ter um dívida ao fisco para ser excluída do programa. Ou seja, as empresas com dificuldades são excluídas... apesar destes programas, o desemprego dispara, as falências aumentam de forma exponencial.

"Salvar" empresas não apenas não deveria ser a função do Governo como evidentemente não é a sua vocação. Os valores gastos nestas operações desequilibram as contas públicas, paradigma da governação nos últimos anos com o sacrifício de todos os portugueses e já dariam para construir um aeroporto ou fazer um TGV. Mas os desempregados continuam sem a medida insistentemente preconizada pela União Europeia: a extensão do subsídio de desemprego de forma excepcional. As empresas em dificuldade continuam a pagar o IVA antes de receberem os pagamentos e a pagar impostos sobre rendimentos presumidos. O Estado continua a pagar mal e tarde e a adjudicar dentro do mesmo círculo de sempre. Generalizou-se a adjudicação directa, acabaram-se com os concursos em vários sectores. A JP Sá Couto (que produz o Magalhães) cresceu 3.000%.

"O Governo salvará as empresas que puder". Só que o Estado não pode ser usado para salvar "algumas" ou "as que puder". O Estado deve criar as condições para salvar o Pais das distorções e dar a todos as mesmas possibilidades de desenvolverem as suas actividades. Este Estado de José Sócrates falhou completamente. Minto. Numa coisa não falhou, na defesa dos interesses corporativos de alguns sectores, de muito poucos empresários e de dois ou três clientes políticos. Um Estado onde desaparecem papéis, onde há permanentemente uma fúria controlista de tudo e de todos, até mesmo dos agentes da Justiça.

Não precisamos que o Estado salve as empresas "que puder" da falência a que estão condenadas. Precisamos de um Estado que nos salve deste Governo.

Apagão

Três notícias sem nada em comum

Domingo, 17 de Maio de 2009

A próxima "cabala"


A quantidade de asneira que Vital Moreira tem vindo a dizer, quase sempre a embaraçar ou contradizer José Sócrates ou o PS terá, no dia da sua derrota eleitoral, uma leitura solene que Vitalino Canas emitirá do Largo do Rato: Vital Moreira era, afinal, um agente infiltrado, ali colocado por agentes da "cabala" para prejudicar o PS e o Primeiro-Ministro.

Distracção Vital


Alguém faça um "briefing" ao Vital Moreira acerca do que ele pode ou não dizer. Dizer que as outras listas têm candidatos fantasma e não saber que Elisa Ferreira anda por aí a dizer que só está na lista das europeias para "picar o ponto" ou é distracção ou suicídio.

Parentes sinceros II


Em adenda ao último post, há uma outra coisa que não me sai da cabaça. Num estranho caso de venda de patromínio do Estado em que, de novo, apareceu o tio Monteiro como "intermediário", a TVI falou com o senhor, que acaba por ilibar José Sócrates, esclarecendo: "não falei nem com o Zézito nem com o Tozé sobre o assunto". Acrescenta que o assunto não tinha "interesse económico nem de corrupção", pelo que não terá falado a nenhum. Mas há um pormenor que não entendi. Se o tio assegura não ter falado com o Zézito (José Sócrates, o sobrinho que então era Ministros do Ambiente), porque fez questão de dizer que também não falou com o Tozé (irmão de José Sócrates - Zézito, portanto)? Teria sido interessante se alguém tivesse perguntado ao tio Monteiro que espécie de poderes teria eventualmente o irmão do actual Primeiro-Ministro no controlo da venda de património do Estado...

Parentes sinceros


Já tenho ouvido dizer que o problema de Sócrates é ter uma família que o entalou, usando o seu nome, etc, etc. Mas a mim, parece-me precisamente o contrário. No fundo, aquela gente é muito mais sincera que o Zézito. Primeiro foi o tio, agora o primo. Afinal, eles acabam por fazer os possíveis por ajudá-lo, não deixando de ser sempre sinceros, quer agora, ao confessar os "negócios" e as suas intervenções, quer posteriormente, ao exclarecerem ambos que falaram sempre com ele. Ou seja, o tio lembra-se bem de ter falado de Smith ao sobrinho e lhe ter pedido a tal reunião e o primo assegura que o avisou dos seus contactos com o Freeport. Tudo factos que o Primeiro-Ministro nega. Esta "abertura de alma" dos seus familiares, leva-me à questão: será que é Sócrates que tem um problema com a família ou será que é a família de Sócrates que tem um problema em tê-lo como parente?

A permanência de Lopes da Mota no Eurojust não prejudica nada a imagem de Portugal na Europa

Não! Nem responsabiliza politicamente quem o nomeou para o cargo mesmo depois das conhecidas histórias (e processos) contra o magistrado por ter alegadamente fornecido informação em segredo de justiça a Fátima Felgueiras.

Nota: a notícia que se segue, com o título traduzido "Presidente do Eurojust envolvido num escândalo de corrupção português" não é de nenhum telejornal transvertido é do EUOBSERVER.
Mas podemos ler também ESTA da Reuters.

Eurojust chief embroiled in Portuguese corruption scandal

EUOBSERVER/BRUSSELS – The EU's judicial co-operation body, Eurojust, on Wednesday tried to distance itself from a scandal involving its head, Jose da Mota, who allegedly put pressure on prosecutors in order to stop a corruption probe involving Portuguese Prime Minister Jose Socrates.
"For the time being, Eurojust does not want to comment on this case. It is a national case in Portugal and Eurojust is not involved in this case," Johannes Thuy, a spokesman for the Hague-based EU body told this website.

The allegations against Jose da Mota puts Eurojust in a bad light (Photo: European Commission)
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Portugal's general prosecutor on Tuesday launched a disciplinary procedure against Mr Mota following an internal investigation "of alleged pressures" on magistrates.
The accusations were made in connection with a case pointing at Mr Socrates at a time when he was minister of enviroment and allowed the construction of an outlet shopping mall on protected land allegedly in exchange for kickbacks.
Two magistrates dealing with the so-called Freeport affair last month accused Mr Mota of having tried to persuade them to side-line the investigation at the request of the premier and the minister of justice.
The premier and Mr Mota's relationship goes back to the late nineties, when they worked in the same government as state secretaries for environment and justice respectively. In 2002, when the new EU body was formed, Mr Mota was transferred to Hague as Portugal's representative to Eurojust.
He was elected head of the judicial co-operation body in 2007, at a time when the so-called Freeport case had already started.
As head of Eurojust, Mr Mota not only represents the EU body in public events, but also chairs the internal meetings, such as the one last year when Portuguese prosecutors asked their British counterparts to hand them over the evidence collected in the Freeport case.
If formally indicted after the disciplinary procedure which might last around 10 days, Mr Mota would most probably be replaced by someone else as Portugal's representative to Eurojust.
"These allegations are incredibly serious and, if proved, call into question the political independence and credibility of Eurojust," Stephen Booth from Open Europe, a London-based eurosceptic think-tank told this website.
Socrates to survive in elections
The Socialist Prime Minister, who currently holds an absolute majority in the Parliament, is set to be re-elected in September, despite some losses in the opinion polls due to the Freeport affair, pundits say.
"Mr Socrates is starting to fall in the polls and he will not manage an absolute majority like in 2005, but he will still win," Tiago Luz Pedro, political editor at Publico, one of Portugal's main newspapers, told EUObserver.
British fraud investigators pointed at Prime Minister due to unexplained missing sums in the company's books, related to the period Freeport was bidding for a construction licence in Portugal in 2002, when Mr Socrates was minister of enviroment.
The Socialist politician has constantly denied these accusations and claimed the scandal was politically motivated.

Mega fraude de 50 mil milhões passaria por Portugal

Há notícias estranhas, como esta que acabo de ler no SOL e que reporta uma suposta transferência de 50 mil milhões de dólares de um banco norte-americano para Portugal. Entre as muitas coisas estranhas da notícia, o facto do banco norte-americano ser identificado mas o português não.

Sem vergonha nenhuma


O PS não percebe que este papel que Vitalino Canas tem vindo a fazer é absolutamente ridículo e que só um idiota (ou quem quiser passar por sê-lo) pode agora chegar a acreditar que, afinal, "pressionar" magistrados é chamá-los ao Parlamento? O PS não percebe que ao manter Lopes da Mota em funções confessa quase tudo, esticando a corda a pontos que lhe trarão consequências eleitorais? Fica-me a sensação de estarmos a viver um daqueles momentos em que embora aos mais indefectíveis votantes socialistas ainda lhes custe responder que não votarão PS nas próximas eleições, no seu íntimo já se revoltam tanto quato eu. Bem sabemos que as cordas em Portugal são muito elásticas, mas também partem...
O PS não percebe que mesmo em Itália, as histórias às vezes têm um final razoável?
.
LER este post no Blasfémias que apoia o que já há tempos aqui escrevi

Sábado, 16 de Maio de 2009

Manuel continua Algre(mente) no PS

Manuel Alegre teve mais de um milhão de votos nas presidenciais. Foi uma votação extraordinária. Mas o seu comportamento mais recente e toda a rábula que culminou com a sua manutenção no PS, com alegadas "garantias" de Sócrates em relação a lugares e apoios, provam o que sempre disse (ainda há dias neste post e também neste livro). Embora um milhão de votos tenha sido extraordinário, Alegre sabia que esse capital eleitoral não era seu. Esse milhão de votos não era de Alegre, era do "independente contra os partidos". Há muito que o digo e escrevo e Alegre sabia-o, nada mais lhe restando de fazer render o seu milhão até ao limite do possível, tirando partido disso para se tornar ainda mais indispensável no PS. Ao assumi-lo agora, culminando negociações e manobras de bastidores que tanto caracterizam o pior da política partidária, Alegre não apenas o assume como delapida a parte que ainda era seu nesse milhão de votos. Com o fim do arrufo e face ao acordo de bastidores que todos percebemos, tudo volta ao normal. Só espero que da próxima vez que alguém entrevistar Alegre tenha a inteligência de lhe perguntar se “nunca poderia sair do PS”, porque razão alimentou essa ideia durante quase três anos, antes de o deixar falar sobre temas como “ética política” e “verdade”, como tanto gosta de fazer.

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

"Há muita coisa a correr bem na Justiça" - Alberto Costa, Ministro da Justiça, em entrevista ao i

Cá no prédio, há dias, um elevador avariou e a velhota do 3º esquerdo ficou encravada entre o primeiro e o segundo andar. Aquele elevador raramente chega ao andar devido. Ainda não caiu porque não calhou. Eu ando no outro, que funciona. Outro dia, os canos lá em cima no telhado vazaram e molharam tudo por aí a baixo. Acontece duas vezes por ano, o que significa que funcionam bem 363 dias por ano ou mesmo 364 quando o ano é bissexto. Cerca de metade dos condóminos não paga as suas mensalidades. Mas a outra metade paga bem... e tem que sustentar os outros. A porta da rua fecha mal e somos assaltados cerca de 5 vezes por ano. Nos restantes 360 anos é uma maravilha. Não há assaltos. As empregadas da limpeza são desmioladas e, por vezes, deixam tudo molhado. Mas muitas vezes limpam bem. Há um vizinho que ouve música pimba todos os sábados em altos berros. O que significa que seis em cada sete dias o prédio é um sossego. As coisas cá no prédio só não correm pior, porque alguns, com esforço, "dão o litro". O administrador do condomínio é um incompetente. Mas há dias, enquanto prestava contas perante uma assembleia de condóminos enfurecida disse: "Há muita coisa a correr bem no prédio".

Sócrates deveria ser alvo de um inquérito parlamentar devido ao Freeport?