Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Agradecimentos, Marcelo Caetano e José Sócrates. Até sempre!
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Tempo de parar... mas não de desistir

Eu já disse e quero reafirmá-lo: estou no grupo dos que não foram nem vão nisto. Estou no grupo dos que perigosamente já não se identificam com nada disto. Escrevendo num blog, num livro ou trabalhando e procurando cumprir e seguir valores e ética, tanto quanto consigo e sei interpretá-los, continuarei a ser português à minha maneira, votando, indignando-me e revoltando-me no dia-a-dia. Ainda que esteja numa minoria. Mas continuarei também - e sobretudo - a fazer um esforço de brio (e como se perdeu este termo), para que funcione bem o que for fazendo. O elogio sobre se consigo transformar esta vontade em competência não me cabe. Caberá àqueles a quem sirvo ou a quem tenho servido.
Numa altura em que assumo novos desafios profissionais que me absorvem por completo e me colocam novas responsabilidades, também éticas e deontológicas, interrompo contudo esta minha intervenção blogosférica. Pelo menos neste formato e com estas características. Pelo menos, para já. Muitos dirão que nada impedia a continuação da minha intervenção cívica neste espaço. Mas eu entendo (pelos vistos) a vida de forma diferente de muitos outros. Erro, como todos, mas não mantenho o princípio de que todos os meios são válidos para todos os fins. Despeço-me, por isso, deste espaço e nesta forma, pelo menos por uns tempos o que não significa que não continue a lutar, de outras formas, com frontalidade, dureza e, muitas vezes, zangado. É que, de facto, é tempo para estarmos zangados. Muito zangados, aliás. Eu estou.
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
"Salvaremos todas as que pudermos..." II
Já este ano, com a crise internacional instalada, eram estas as palavras de Sócrates. Oiçam bem, porque faz bem à democracia, sabermos que há cinco meses o Primeiro-Ministro achava que Portugal iria crescer 3% este ano, que o desemprego diminuiria, que o défice seria cumprido e teimava que "salvaria todas as empresas que pudesse". Tinha acabado de "salvar" a Qimonda, o BPN, as Pirites Alentejanas e a Indústria Automóvel a quem ofereceu mil milhões de euros (2.222,00 euros por cada desempregado que existe em Portugal). Mesmo "avisado" por Ricardo Costa que chega a afirmar que as previsões do Primeiro-Ministro estavam a ser "mesmo muito optimistas", Sócrates insistia que Portugal cresceria 3% este ano! Sim, eu disse CRESCERIA 3% ESTE ANO.
O insuportável Freeport
A felicidade segundo Rui Pereira é a prisão preventiva

Assim, além de se ter queixado de si próprio, o Ministro revelou ainda uma inconcebível falta de tacto e mesmo respeito, quando usou da palavra na Assembleia da República: "Fico muito, muito feliz quando sei que é aplicada a prisão preventiva a alguém que é suspeito de praticar um crime com armas ou contra as forças de segurança”.
Será que Rui Pereira fica mesmo "muito, muito feliz" ao ver os alegados criminosos (suspeitos, portanto, inocentes até prova em contrário - não é o que dizem?) serem detidos ou ficará apenas, como todos nós, descansado e mais seguro?
E você, é contra a "pobreza" ou a favor da "verdade desportiva"?
Anda por aí alguém – com grande sucesso, diga-se – a promover uma petição “pela verdade desportiva”. Acho muito bem que o faça. Mas a mim, que digo mal de quase tudo, parece-me um bocadinho redundante. É como perguntar às pessoas: “quer assinar aqui num papel a dizer que é contra a pobreza?”. É claro que toda a gente é contra a pobreza. Bem... todos, todos não! Há os que secretamente acham que deve continuar a haver pobres, porque deles se alimentam em esquemas ínvios. Mas esses serão os primeiros a assinar petição, para mostrar o contrário daquilo que são e porque sabem que um papel é apenas um papel e que a pobreza nunca acabará. Ora, com a “verdade desportiva” é um bocadinho a mesma coisa. Haverá alguém a dizer que não quer verdade desportiva? Naaa! Todos assinam que querem, mesmo os que sobrevivem da batota.Mas o que me leva a escrever hoje esta crónica é precisamente o facto da dita petição não ser, afinal, “pela verdade desportiva”, mas antes - e tão só - pela utilização de meios tecnológicos na arbitragem do futebol. O que é muito menos do que a “verdade desportiva”. Para que fique claro, eu sou favorável a todos os meios tecnológicos que ajudem a arbitrar um jogo de futebol, a aspirar a casa ou a confeccionar o jantar. O que me parece abusivo é considerarmos que a compra de um bom aspirador signifique automaticamente uma casa limpa ou que a aquisição de uma Bimby tornará as nossas refeições num repasto real, sem qualquer esforço. Para se ter uma casa limpa será sempre importante olhar
os cantos com cuidado, dobrar as costas para aspirar debaixo das mesas e, sobretudo, ter-se brio profissional. Para termos à mesa uma refeição saborosa, será sempre necessário escolhermos ingredientes de qualidade e saber temperá-los com sensibilidade e bom senso.Para que haja “verdade desportiva” será preciso tudo o que é necessário para manter a casa limpa e todas as qualidades que impomos a um bom cozinheiro. Mas é também fundamental que haja vontade. Dito de outra forma, a introdução de meios tecnológicos na arbitragem é tão inevitável como a humanidade ter-se rendido ao telemóvel ou ao frigorífico. É apenas uma questão de tempo e de aperfeiçoamento. Já imaginar que isso se converterá automaticamente em verdade desportiva parece-me tão irreal como imaginarmos que o árbitro do Chelsea-Barcelona não viu quatro penalties contra a equipa de Messi na meia-final da Liga dos Campeões.
E para que fique ainda mais claro: eu sou contra a pobreza, mas sou ainda mais contra os que dela se alimentam, mesmo promovendo e assinando petições.
Crónica escrita especialmente para o blog Futebolartte, onde colaboro
Enxovalho cá, enxovalho lá

Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Contrastes
"Presidente do Parlamento britânico apresentou a demissão" in Público online
"(...) O primeiro-ministro Gordon Brown convocou para esta tarde uma conferência de imprensa, depois de ter sido ontem pressionado pelo líder do Partido Conservador, David Cameron, para convocar eleições antecipadas. O Governo não é obrigado a convocar eleições legislativas antes de Junho de 2010, mas Cameron, à frente nas sondagens, sublinhou que as pessoas estão mais preocupadas com uma oportunidade para votar do que com a escolha de um novo presidente da Câmara dos Comuns. “As pessoas querem eleger um novo Parlamento”, disse à BBC. “A sua visão é a de que trocar uma pessoa com um divertido traje preto por outra pessoa com um divertido traje preto não vai fazer diferença”, adiantou Cameron (...)"
Dias Loureiro confia nas instituições, certamente!

Bem escrito
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
O Carlos Vidal lançou os foguetes e eu apanho as "Canas"
Estamos na época do "quero lá saber"
"Salvaremos todas as empresas que pudermos"
lítica é a arte da escolha e também da responsabilização, e o que importa é saber se as escolhas deste Governo foram correctas. Vejamos quais foram as empresas que Sócrates "pôde", ou melhor, "escolheu" salvar.Qimonda: o processo de recuperação da Qimonda foi apresentado mais de dez vezes, com o Primeiro-Ministro e o Ministro da Economia a orgulharem-se de terem salvo a empresa. Chegaram a apontá-la como o exemplo do que deveria ser feito cerca de um mês antes de abrir falência. A Caixa Geral de Depósitos emprestou milhões de euros à Qimonda, tendo as verbas sido transferidas para a Alemanha e desaparecido. A Qimonda está fechada, mais de mil trabalhadores qualificados estão à beira do desemprego. Desapareceu o maior exportador português.
Pirites Alentejanas. Seis meses depois do Governo ter anunciado com pompa que tinha salvado as minas, através de um contrato com uma empresa estrangeira, as minas fecharam. O Governo "salvou" pela segunda vez a empresa, dando benefícios fiscais a um grupo nacional e oferecendo-lhe a exploração de outras minas, sem custos. Apesar da produção dever estar já em laboração, a única coisa que aconteceu foi a venda da maquinaria que lá se encontrava. Os funcionários da empresa continuam sem trabalho e as minas estão fechadas. Não se sabe o que vai acontecer.
BPN: O Banco foi nacionalizado "para garantir os depósitos do portugueses" e para "devido ao perigo sistémico e ao rating da Nação". Um pouco mais de meio ano depois, já se gastaram mais de dois mil milhões de euros no BPN. O Banco perdeu os seus clientes, o rating da Nação baixou, não se sabe quanto mais dinheiro vai ser necessário para "tapar" os buracos do BPN. A marca BPN não vale qualquer dinheiro neste momento e a nacionalização não apenas colocou problemas novos à Caixa Geral de Depósitos como descapitalizou o banco público. O mesmo princípio não foi usado para o BPP, em situação semelhante. Há depositantes desesperados por não conseguirem reaver os seus depósitos.
Indústria Automóvel. O Governo correu a injectar mais de mil milhões de euros na indústria automóvel, sem que alguma vez explicasse porquê naquele sector. Dois ou três meses depois do anúncio, Citroen, Peugeot e Renault começam a dispensar funcionários e ameaçam fechar as suas fábricas em Portugal. A Autoeuropa dispensa sub-contratados, pára produção e agora pondera o futuro.Pequenas e micro-empresas. O Governo apresenta constantemente linhas de créditos para as PME, mas a verdade é que estas se queixam da dificuldade de obter empréstimos e dos juros elevados. A maioria das empresas não cumpre os requisitos estabelecidos pelo Governo. Basta ter um dívida ao fisco para ser excluída do programa. Ou seja, as empresas com dificuldades são excluídas... apesar destes programas, o desemprego dispara, as falências aumentam de forma exponencial.
"Salvar" empresas não apenas não deveria ser a função do Governo como evidentemente não é a sua vocação. Os valores gastos nestas operações desequilibram as contas públicas, paradigma da governação nos últimos anos com o sacrifício de todos os portugueses e já dariam para construir um aeroporto ou fazer um TGV. Mas os desempregados continuam sem a medida insistentemente preconizada pela União Europeia: a extensão do subsídio de desemprego de forma excepcional. As empresas em dificuldade continuam a pagar o IVA antes de receberem os pagamentos e a pagar impostos sobre rendimentos presumidos. O Estado continua a pagar mal e tarde e a adjudicar dentro do mesmo círculo de sempre. Generalizou-se a adjudicação directa, acabaram-se com os concursos em vários sectores. A JP Sá Couto (que produz o Magalhães) cresceu 3.000%.
"O Governo salvará as empresas que puder". Só que o Estado não pode ser usado para salvar "algumas" ou "as que puder". O Estado deve criar as condições para salvar o Pais das distorções e dar a todos as mesmas possibilidades de desenvolverem as suas actividades. Este Estado de José Sócrates falhou completamente. Minto. Numa coisa não falhou, na defesa dos interesses corporativos de alguns sectores, de muito poucos empresários e de dois ou três clientes políticos. Um Estado onde desaparecem papéis, onde há permanentemente uma fúria controlista de tudo e de todos, até mesmo dos agentes da Justiça.
Não precisamos que o Estado salve as empresas "que puder" da falência a que estão condenadas. Precisamos de um Estado que nos salve deste Governo.
Apagão
Três notícias sem nada em comum
Domingo, 17 de Maio de 2009
A próxima "cabala"

Distracção Vital

Parentes sinceros II

Parentes sinceros

A permanência de Lopes da Mota no Eurojust não prejudica nada a imagem de Portugal na Europa
Nota: a notícia que se segue, com o título traduzido "Presidente do Eurojust envolvido num escândalo de corrupção português" não é de nenhum telejornal transvertido é do EUOBSERVER.
Mas podemos ler também ESTA da Reuters.
Eurojust chief embroiled in Portuguese corruption scandal
EUOBSERVER/BRUSSELS – The EU's judicial co-operation body, Eurojust, on Wednesday tried to distance itself from a scandal involving its head, Jose da Mota, who allegedly put pressure on prosecutors in order to stop a corruption probe involving Portuguese Prime Minister Jose Socrates.
"For the time being, Eurojust does not want to comment on this case. It is a national case in Portugal and Eurojust is not involved in this case," Johannes Thuy, a spokesman for the Hague-based EU body told this website.
The allegations against Jose da Mota puts Eurojust in a bad light (Photo: European Commission)
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Portugal's general prosecutor on Tuesday launched a disciplinary procedure against Mr Mota following an internal investigation "of alleged pressures" on magistrates.
The accusations were made in connection with a case pointing at Mr Socrates at a time when he was minister of enviroment and allowed the construction of an outlet shopping mall on protected land allegedly in exchange for kickbacks.
Two magistrates dealing with the so-called Freeport affair last month accused Mr Mota of having tried to persuade them to side-line the investigation at the request of the premier and the minister of justice.
The premier and Mr Mota's relationship goes back to the late nineties, when they worked in the same government as state secretaries for environment and justice respectively. In 2002, when the new EU body was formed, Mr Mota was transferred to Hague as Portugal's representative to Eurojust.
He was elected head of the judicial co-operation body in 2007, at a time when the so-called Freeport case had already started.
As head of Eurojust, Mr Mota not only represents the EU body in public events, but also chairs the internal meetings, such as the one last year when Portuguese prosecutors asked their British counterparts to hand them over the evidence collected in the Freeport case.
If formally indicted after the disciplinary procedure which might last around 10 days, Mr Mota would most probably be replaced by someone else as Portugal's representative to Eurojust.
"These allegations are incredibly serious and, if proved, call into question the political independence and credibility of Eurojust," Stephen Booth from Open Europe, a London-based eurosceptic think-tank told this website.
Socrates to survive in elections
The Socialist Prime Minister, who currently holds an absolute majority in the Parliament, is set to be re-elected in September, despite some losses in the opinion polls due to the Freeport affair, pundits say.
"Mr Socrates is starting to fall in the polls and he will not manage an absolute majority like in 2005, but he will still win," Tiago Luz Pedro, political editor at Publico, one of Portugal's main newspapers, told EUObserver.
British fraud investigators pointed at Prime Minister due to unexplained missing sums in the company's books, related to the period Freeport was bidding for a construction licence in Portugal in 2002, when Mr Socrates was minister of enviroment.
The Socialist politician has constantly denied these accusations and claimed the scandal was politically motivated.
Mega fraude de 50 mil milhões passaria por Portugal
Sem vergonha nenhuma

Sábado, 16 de Maio de 2009
Manuel continua Algre(mente) no PS
Manuel Alegre teve mais de um milhão de votos nas presidenciais. Foi uma votação extraordinária. Mas o seu comportamento mais recente e toda a rábula que culminou com a sua manutenção no PS, com alegadas "garantias" de Sócrates em relação a lugares e apoios, provam o que sempre disse (ainda há dias neste post e também neste livro). Embora um milhão de votos tenha sido extraordinário, Alegre sabia que esse capital eleitoral não era seu. Esse milhão de votos não era de Alegre, era do "independente contra os partidos". Há muito que o digo e escrevo e Alegre sabia-o, nada mais lhe restando de fazer render o seu milhão até ao limite do possível, tirando partido disso para se tornar ainda mais indispensável no PS. Ao assumi-lo agora, culminando negociações e manobras de bastidores que tanto caracterizam o pior da política partidária, Alegre não apenas o assume como delapida a parte que ainda era seu nesse milhão de votos. Com o fim do arrufo e face ao acordo de bastidores que todos percebemos, tudo volta ao normal. Só espero que da próxima vez que alguém entrevistar Alegre tenha a inteligência de lhe perguntar se “nunca poderia sair do PS”, porque razão alimentou essa ideia durante quase três anos, antes de o deixar falar sobre temas como “ética política” e “verdade”, como tanto gosta de fazer.



